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Sinto dizer, mas acho que as apoteoses não existem mais nem no amor, nem na política, em nada. Estamos no tempo das coisas que não terminam, dos problemas sem solução. O século 21 é o fim da crença na plenitude, na inteireza, seja no sexo, no amor e na política.
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O que é ser feliz? Onde está a felicidade no amor e sexo? No casamento?
No entanto, vejamos o outro lado; sem a promessa de amor eterno, tudo vira uma aventura. Em vez da felicidade, existem as fortes emoções, a deliciosa dor, as lágrimas, hotéis, motéis delirantes, perdas, retornos, desertos, luzes brilhantes ou mortiças, a chuva, o sol, o nada.
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Talvez precisemos de um amor que busque atingir a "intensidade" em vez da "eternidade". Talvez seja bom o fim de um "happy end" futuro e o início do "happy" presente. Transformar a dor de viver numa forma de arte que nos faça feliz. A felicidade é uma virtude bailarina, parodiando Oswald e Nietzsche (com todo respeito). E é bom mesmo que acabe essa ilusão do idealismo romântico, para legitimar a família e a produção, pois (vamos combinar): a verdade é que tudo acaba mal na vida. Não se chega a lugar nenhum porque não há onde chegar. Há que perder esperanças antigas e talvez celebrar um sonho mais "trágico", com a selvagem beleza do efêmero.
Se aceitarmos isso, talvez a saudade venha como excitação, a dor venha como prazer, a parte como o todo, o instante como eterno. E não se trata de pessimismo. É bom sofrer uma epopeia passional, é bom a saudade, a perda, tudo, menos a insuportável felicidade obrigatória.
Tudo bem, querermos paz e sossego, tudo bem nos contentarmos com o calmo amor, com um "agapê", uma doce amizade dolorida.
Mas, a chama emocionante só vem com a droga pesada do século 21: a paixão impossível. E isso é bom. Enquanto sonharmos com a plenitude, seremos infelizes. A felicidade não é sair do mundo, como privilegiados seres, mas entrar em contato com a trágica substância do não-sentido. Temos de ser felizes sem esperanças. É difícil; mas não há outro jeito.
Arnaldo Jabor

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