Passando (Oswald Barroso)

Aperta minha mão, mulher
estreita tua vida à minha
que hoje cometemos algo assombroso.

Não fomos heróis
nem mesmo covarde fomos
embora uma ponta de medo nos perguntasse
pelo amanhã.

Mas a semente vingou
numa planta
numa rama
pequena e passageira
que se precisa semear a cada ano

como um ato de amor feito atrás da porta
do qual só não importa o perigo
como este poema provinciano
com hora e lugar determinados
mas que por isso mesmo
incomoda.

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