Será que sabes? (Patrícia Antoniete)

Será que sabes, meu amor, que em mim algo amanheceu, que entre a tarde e a noite, não há sol que se ponha, não há mais escuro que vingue, que dentro dos meus olhos o dia não envelhece?
...
Será que ouves, meu amor, essa língua confusa que falam minha mão sobre teu peito, meus olhos fechados imersos no cheiro que tem a tua pele, meus dedos enredados em teus cabelos, essa língua que compõe, cada vez que te toco, uma nova música com uma nova harmonia por todo meu corpo?

Será que entendes que habitei com meus medos os mais terríveis precipícios e que teu olhar me lança pontes que eu nunca soube que pudessem existir?
...
Será que percebes o amor imenso que te entrego todos os dias, misturado às coisas mais minúsculas, aos momentos mais pequenos, a cada gesto imperceptível?

E ainda que me digas que não, eu sigo te amando assim, sem ruído, delicamente, surpreendendo-me a mim a cada instante com a perfeição simples que se reinventa e multiplica, que nasce para ser tudo isso e a isso ser alheia e nem se dar a conhecer, porque simplesmente não precisa de mais nada além de si e de nós dois.

Comentários