Então invadirias subitossuave a minha porta e me falarias de coisas tão caras a mim, feitas de frágeis, falsos encantamentos [...] lembrarias uns toques oblíquos de antes, certos olhares a anunciar esse momento, velhos agostos em que te afastei de mim porque te supunha menor, não me enganava, até mais tarde, tão naturalmente que nem eu nem tu saberíamos dizer de quem partiu o início do gesto, a mão de um tocaria redondaleve a pele do rosto do outro para que começasse a acontecer tudo aquilo de beijos e suores e salivas e gritos de prazer, misturados num sonho não sei se meu o teu/meu corpo que já não sabia até onde era meu ou teu, sentindo sempre, desde antes do início do gesto, do toque, que não haveria depois, até este duro engano de hoje...
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