Escorreram-me os olhos pelo chão, como poderia ter sido alguma obra de Dalí. Não pude mais ver. Saí com pressa e tropecei na próxima esquina, eu tinha de enxergar com o coração. Era tão difícil, fiquei todo marcado.
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O mundo estava repleto de gente doente, ainda faltavam alguns meses pra 2012, e não precisaria me preocupar tanto se tudo desse certo. Do terraço comecei a pensar nos meus sessenta anos em vinte três. Estava tão velho e de boca calada, no entanto a mente disparava de calibre doze na minha sanidade. A analista confirmou a loucura e meu sanatório se tornou o mundo inteiro.
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Há muito tempo perdi o medo de não me encontrar. Meu medo era de não ser encontrado. Sempre um desencontro, um fantoche da sinestesia de uma Vida-Poeta que troca os pés pelas mãos e não liga pra métrica, um verso ultrapassando o outro. Uma dor por um cheiro. Surrealista e amarga, mas ali, presente. Parafraseando um: “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, essa era minha realidade.
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Lembrei de mais algumas coisas peculiares do passado, de quando eu era feliz e não sabia. Ri de novo… Essa tal tristeza estava pegando o trem para longe. Comecei a me sentir apto a existir. “Transformar aflição em arte é uma dádiva divina”, disse minha mãe quando terminou seu último quadro, abandonando os pincéis e as cores...
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Ensinou-me como pôde. Aprendi como consegui. Mas sabe como é, têm gente tão durona, mas tão durona, que precisa de alguém pra lembrar que o amor é carne fraca.
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O mundo estava repleto de gente doente, ainda faltavam alguns meses pra 2012, e não precisaria me preocupar tanto se tudo desse certo. Do terraço comecei a pensar nos meus sessenta anos em vinte três. Estava tão velho e de boca calada, no entanto a mente disparava de calibre doze na minha sanidade. A analista confirmou a loucura e meu sanatório se tornou o mundo inteiro.
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Há muito tempo perdi o medo de não me encontrar. Meu medo era de não ser encontrado. Sempre um desencontro, um fantoche da sinestesia de uma Vida-Poeta que troca os pés pelas mãos e não liga pra métrica, um verso ultrapassando o outro. Uma dor por um cheiro. Surrealista e amarga, mas ali, presente. Parafraseando um: “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, essa era minha realidade.
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Lembrei de mais algumas coisas peculiares do passado, de quando eu era feliz e não sabia. Ri de novo… Essa tal tristeza estava pegando o trem para longe. Comecei a me sentir apto a existir. “Transformar aflição em arte é uma dádiva divina”, disse minha mãe quando terminou seu último quadro, abandonando os pincéis e as cores...
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Ensinou-me como pôde. Aprendi como consegui. Mas sabe como é, têm gente tão durona, mas tão durona, que precisa de alguém pra lembrar que o amor é carne fraca.
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