Saudade

Saudade, decididamente, é palavra difícil de conceituar. Há quem diga que saudade se sente, não se conceitua. Não é o que pensava o poeta popular Antônio Pereira de Moraes, um modesto agricultor que, apesar da sua pouca instrução formal, definiu, de forma brilhante, seu conceito de saudade:

Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.

Se quiser plantar saudade
Escalde bem a semente,
Plante num lugar bem seco
Onde o sol seja bem quente
Pois se plantar no molhado
Quando crescer mata gente"

De forma mais elaborada, Chico Buarque também definiu, com rara felicidade, o que é saudade. Os versos de “Pedaço de mim”, por si, já é um verdadeiro tratado do que é saudade. O parafuso que enferruja e não sai, para Chico, “É arrumar o quarto de um filho que já morreu” ou “uma fisgada em um membro já perdido”.

Brilhante, não? Coisas que só a sensibilidade dos poetas, iletrados ou não, consegue traduzir.
(do blog Dr. Zem - www.drzem.blogspot.com)

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