Sonhei que você sonhava
comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto
atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou
acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não
compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar
alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie
de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também
não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas
outra viagem chamada desejo.
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