Um
piscar de olhos, uma resvalada, um átimo de tempo é o que basta. Conquistas e
perdas se dão nessa fração quase imperceptível do tempo. É tênue a linha que
nos coloca para o outro lado, para perdas, danos e incertezas. Muitas vezes
invisível por anos e anos.
Um
carro amassado num muro, uma construção sendo demolida são coisas fáceis de
perceber. Muito mais difícil é saber quando estão sendo destruídos sentimentos,
almas. O que se enxerga como conquistas, atenção, compartilhamento, podem ser
aríetes. Golpeiam e ferem sem piedade, trazendo marcas que só se apagarão (se é
que se apagarão) com tempo, compreensão e, principalmente, disposição.
Acho
que nosso egoísmo, nosso individualismo ou até mesmo uma mistura dos dois age
sempre assim, meio como um filme mal revelado! Deixa-nos ver pouco e naquilo
que não vemos acabamos por projetar atitudes maravilhosas, atenções totais,
amores incondicionais. Difícil quem consiga enxergar na parte não visível de si
próprio um caráter mau, uma incapacidade enorme de interpretar anseios e
necessidades à sua volta, um ditador de vontades, um sufocador de dores e
vidas.
A
todos devia ser dada a oportunidade de se enxergar por inteiro, e mais ainda,
de enxergar nos outros aquilo que realmente somos para eles. Não a
representação que pensamos ser! Vamos
nos iludindo vida afora com auto-conceitos falsos, que consideram tão somente
nossa própria visão, interesse e sentimento. Até que vem aquele “piscar de
olhos”, mencionado lá em cima, até que alguém desenha o que se teimava em não
ver, até que se descobre o que se realmente é!
Vivemos
na certeza de que somos tudo aquilo que realmente pensamos ser. Ilusão! Somos,
de verdade, exatamente como cada um dos que nos rodeia nos vê. Nada mais, nada
menos! E somos múltiplos, plurais, diferentes aos olhos de cada pessoa. Bons e
justos para alguns, maus para outros, indiferentes para a maioria. Carrasco ou
salvador, um amigo ou um opressor?
Com
todo este antagonismo nos é dado viver. De algum modo, instintivamente ou não,
sabemos que tudo isto é da natureza humana e assim vamos em frente. Agora,
terrível é quando levantamos nosso “tapete de bondades” e descobrimos montanhas
de ”lixo” não varrido. Terrível é não ter enxergado o que realmente estávamos
sendo, é o tempo ter se esvaído e nunca termos percebido. Terrível é machucar
nossos amados, é levá-los a não mais acreditar, é descobrir que lhes provocamos
também Perdas e Danos! É sentir sair algo que esvazia nossos corações!
(Blog do Simeão:http://simeao.blog.terra.com.br/)
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