Domingo
é o meu inferno astral. Duvido que haja algo mais entediante. É dia de
descansar, de almoço em família, de ir ao parque: o domingo é benevolente
demais. Não tem a malícia do sábado nem a determinação da segunda. É um dia em
cima do muro, não é dia de festa nem de trabalho. Nem lá, nem cá. Nem mais, nem
menos.
Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já
abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos.
Viajar de avião, por exemplo. Tem coisa que nos deixe mais sem chão,
literalmente? Estrada tem ao menos a paisagem para distrair, e quem quiser sair
do carro, sai. Mas você não pode sair de um avião. Nem de um domingo.
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