Casais que se julgam definitivos porque moram juntos perdem o medo
solidário de nascer (todo mundo que nasce precisa de ajuda) para deixar o
medo mesquinho de morrer tomar conta da relação (todo mundo que morre,
morre sozinho). O desejo não combina com segurança e senhas. O desejo é
não saber o que vai acontecer depois. Os namorados e namoradas apartados
por uma questão de trabalho, de residência ou de família estão
dispostos a se encontrar dentro dos próprios desencontros. O círculo
perfeito é muito apertado. Agrada-me a elipse, a hesitação, a fresta
para arejar os afetos. Uma alegria breve pode vir a ser uma alegria
interminável. (Fabrício Carpinejar)
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