Eu me perdoo porque em
vários momentos, fui injusta com vocês, comigo. Deixei que as minhas
expectativas se tornassem exigências e julguei pessoas inteiras por causa de
uma única atitude. Eu me perdoo porque na tentativa diária de acertar, cometi
inúmeros erros por medo de errar. Fui áspera quando estava assustada e
precisava pedir abraço, ajuda. Fui dócil por interesse, por necessidade de ser
aceita para minha falsa completude. Eu me perdoo porque, não estando inteira
para m
im, doei fragmentos do que
eu tinha, fui cínica com a minha poesia, falei de amor quando o que eu sentia
era carência. Eu me perdoo por tantas vezes, não perdoar tua displicência,
invadir tua individualidade, reclamar tua ausência. Eu me perdoo pela falta de
compreensão e paciência com as minhas limitações e com as suas. Eu me perdoo
por tirar a roupa quando você queria me sentir emocionalmente mais explícita,
não apenas me ver nua. Eu me perdoo por ter me anestesiado tanto tempo e
desrespeitado minha angústia, negligenciado qualquer aprendizado que trouxesse
sofrimento. Eu me perdoo por rasurar com minhas autocríticas, os meus melhores
momentos. Eu me perdoo porque sou imperfeita e humana, mas já pretendi a
perfeição do Outro, mesmo não havendo importância ou a possibilidade disto. Por
querer receber aquilo que nem eu tinha para dar. Por insultar querendo que a
mudança fosse alheia porque julgava ser do Outro o medo de transcender, de
transmutar.
Eu me perdoo por ter vivido por tantos anos sem me perdoar.
(Marla Queiroz)
Eu me perdoo por ter vivido por tantos anos sem me perdoar.
(Marla Queiroz)
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