Posso não saber nada do
coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando
entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra
maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra
essas coisas. Billie Holiday é ótimo pra essas coisas. E Drummond quando ensina
que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que
toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo
romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o
que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva,
da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em
triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um
Litlle help from my friends, e a platéia ainda aplaude e pede bis (o
Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que
eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é
patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é
babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da
morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe.
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