Sou
aquele pedacinho de inocência que deixei no berço, sou aquela imaturidade que
perdi na adolescência, sou aquelas insanidades que cometia quando não possuía
responsabilidades, sou aquela doçura infantil que tornou-se amarga ao crescer…
Sou aquela falta de senso, sou aquele ser que escutava tudo e sobre tudo
perguntava, que hoje fecha-se em lábios calados… Sou a antiga pureza que foi
profanada. Sou o mancebo que tanto cortejava, e que não se importava em receber
nãos. Sou aquela esperança, hoje tão rala, que aos poucos, esvai-se do meu
coração. Sou feita do amor daqueles que me tanto amaram nesta vida passageira,
sou feita do afeto tão precioso dos meus escassos, porém dedicados amigos. Sou
a princesinha que cansou de sonhar acordada com seu príncipe encantado, sou a
donzela que largou a vida de rainha atrás de aventuras, sou a adulta que não
suporta a idéia de velhice… Sou o que perdi.
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