Marla de Queiroz


Enlouqueceram os caminhos. Passos atravessam águas turvas, voos sobre nuvens se desnorteiam e a lua míngua desengravidada. Não há um fio sequer que amorteça esta queda brusca das estrelas e o mar não as acomoda. Escuto daqui o desabar de um céu inerte e não há chuva, apenas um pequeno pesadelo para quem sempre sonhou acordada. E este meu jeito, ora torto, de contemplação sem direção, emoções desendereçadas. Tudo se move desamparado e os corrimões deslizam pelos vãos da escada.
O que há com o mundo lá fora? Em que lugar o astral se perdeu do meu mapa? Não há constatações, tudo é indício de um estranhamento. As palavras, antes corriqueiras por aqui, me dizem: “Sinta a vitalidade do silêncio. Tudo está em comunhão com o absurdo. O barulho que atordoa vem de dentro”.

Comentários