Lê, amor, é o meu canto de despedida para o
nosso breve imbróglio amoroso. Brindemos às semipalavras paridas da minha boca
e da tua, por línguas e mãos varrendo alvoroçadamente esquinas e becos de nós,
numa indescritível confusão de sentidos. Semipalavras mentidas que, quando tudo
era romance e perfume, foi o nosso alimento e água, o ópio a nos manter insanos
e um. Olha, amor, lê! Poemas rabiscados na pele, em traços vermelhos e tortos,
em linhas inventadas quando negaceávamos felizes, as juras de sermos o pedaço
desencontrado um do outro. Semipalavras. Ruidosas lembranças. Pequenos
fragmentos de um amor que sequer chegou a ser.
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