Quem estava foi embora. Ou a
gente foi embora e deixou pra trás quem um bocado de significância. Nessa hora
não é tão importante saber se o tal biscoito é fresquinho porque vende mais, ou
vende mais porque é fresquinho. O fato e não dito é que as coisas que a gente
pensava estar a salvo numa eternidade bonita, esvaiu-se em lonjuras e
estranhezas.
O bonito nessa hora é
vestir-se de maturidade e compreensão, aceitando a impossibilidade de se pedir
garantias do gostar alheio e permitindo que o alheio apenas siga as setas que
escolher, mesmo que a gente fique um tanto perdido no caminho, porque se
acostumou com a mão sempre estendida do outro lado da estrada. Dá-se a isso o
nome de nobreza?
Gestos nobres são bacanas,
mas não há como fazê-los do abraço pra fora. É preciso ser sentido e doado com
uma veracidade inquestionável. E isso de apenas sorrir saudades optou por
seguir outras setas eu ainda não tirei boa nota. Seja, talvez, uma espécie de
presunção que se tornou frustração. A pessoa (eu) se achava tão incrível que
não ousava supor que a vida de outrem pudesse ter, sem ela, a mesma desmesura
de alegria. Por que a pessoa também não conseguia mensurar a vida caminhando
sem as mesmas palavras e afeto de antes, de quando desmedir o riso e lamber o
choro era parte de um acordo absolutamente involuntário e massa.
A sensação é de que a
vida desacorda os sentires do outro dia, seguindo esses cursos inevitáveis. E a
gente espera por um tempo, na tentativa infantil de que tudo retorne aos velhos
retratos, até que de tanto esperar, tudo vira desimportância...
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