Não sei se aperte o gatilho
Não sei se faça um poema
Ou outra loucura qualquer
Talvez mergulhe no escuro
Quem sabe eu salte a janela
E incendeie a calçada
Da minha perdida e inútil ilusão
Espreito um vulto
No farfalhar da ventania
Meu eterno pesadelo
Ou minha sombra, apenas?
Escuro e silêncio em mim
Silêncio no escuro
E o nó da saudade
Como ponto final
Os cães da minha insônia vão invadir a noite
Quebrando vidraças
E eu, no desespero da fuga,
Não vou ter nem tempo
Pra chorar...
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