Senhora
de muito espanto,
vestindo
coisas longínquas
e
alguns farrapos de sono,
eu
vim para te dizer
que
inutilmente contemplo
na
planície de teus olhos
o
incêndio do meu orgulho.
Senhora
de muito espanto,
sentada
além do crepúsculo
e
perfeitamente alheia
a
realejos e manhãs.
Eu
vim para te mostrar
que
se inaugurou um abismo
vertical
e indefinido
que
vai do meu lábio arguto
ao
chumbo do teu vestido.
Senhora
de muito espanto
e
alguns farrapos de sono,
onde
o céu é coisa gasta
que
ao meu gesto se confunde.
Um
dia perdi teu corpo
nas cores do
mapa-múndi.
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