Se
alguém me perguntar, hei de dizer que sim, que foi verdade que não amei ninguém
depois de ti nem o meu corpo procurou nunca mais outro incêndio que não fosse a
memória de um instante junto do teu corpo.
...
Se
alguém me perguntar, nada desmentirei, nem negarei que os frutos todos que me
deram a provar na tua ausência me pareceram demasiado azedos ao pé dos que
explodiam em sumo nos teus lábios e que, por isso, nunca mais quis um beijo de
ninguém, nem sequer inocente.
...
E contarei por fim,
se alguém quiser saber, que o teu silêncio foi de tal densidade, de tal
espessura, que não consegui escutar nenhuma das vozes que vieram depois de ti
e, pior do que isso, me esqueci com indiferença das mais antigas, pelo que as
minhas noites se tornaram uma tão longa e solitária travessia que ainda esta
manhã acordei ao lado da tua sombra e respondi baixinho, mesmo sem ninguém me
perguntar, que há coisas que uma mala nunca leva.
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