Meu pobre irmão,
Os óculos escuros
Já não conseguem esconder
Os olhos vermelhos
E as lágrimas
Baby, há quanto tempo...
Eu me lembro de você
Sorrindo por tudo
O escuro do futuro, o seguro
No calendário, nos cabelos
E hoje
Eu chorando por nada
O dever cumprido
A vida comprida
Vinte e poucos anos e um mundo
De sonho fumaça poeira
Nos sapatos ciganos
De medo
E a solução no bolso solidão
Solidão bolso solução
Conheço bem essa história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim...
Meu pobre irmão, eu confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado, meu bem guardado segredo
Eu fiquei de covarde
A vergonha tá no resto, no rosto, no desgosto
Nesta aflição negra solidão
Yes, I have saudade negra aflição
Eu me lembro de você
Que tempo, hein?
A lanchonete, o sorvete, o chocolate, as coisas
As coisas da vida
As coisas, tudo azul
A calçada, a rua, a cidade
A América do Sul
I love you na camisa
No peito e no coração...
Ah, tudo mudou
Tudo mudo
E o vazio no mundo, no tempo e na vida
Os olhos, o peito, as mãos, tudo vazio
As mãos vazias, Torquato
Ah, tudo mudou
E o tempo tá lá, no calendário
E eu sou apenas um rapaz triste tropical melancolia
Um abraço, tá?
Vou pingar um reticência
Neste resto de vida...
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